quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Bibliotecas Infantis/Cecília Meireles * Antonio Cabral Filho - Rj

Bibliotecas Infantis / Cecília Meireles
Cecília Meireles,
a maior poeta brasileira, a precursora da criação de bibliotecas infantis no Brasil, é carioca, nascida na Tijuca, em 7 de novembro de 1901 e faleceu em solo carioca no dia 9 de novembro de 1964. Cecília curtiu a vida como pôde, viajou boa parte do mundo; era apaixonada pela Índia e como resultado de uma visita a produção de poemas tornou-se livro. Após sua morte a ABL dedicou-lhe o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.
Cecília era ainda órfã de pai e mãe desde os três anos de idade, o que pode ser notado em tudo que ela fez e sua dedicação às crianças com a criação da primeira biblioteca infantil do país, é sua marca indelével. Nossa poeta foi criada pela avó materna, que teve papel fundamental em sua formação. Além poeta, cronista e contista, Cecília foi professora e sua longa experiência no magistério produziu muitas obras, mas o livro "Criança, meu amor" é o destaque. Ela escreveu em todos os gêneros poéticos, mas seu estilo engajado se revelou no Romanceiro da Inconfidência, onde pode ser notada a força de sua poética e sua maturidade.
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Que tal fazer um tour...

1 - CECILIA MEIRELES BLOG
http://ceciliapoesia.blogspot.com.br/ 
2 - ANIVERSARIO
https://bibletrasufrj.wordpress.com/2011/11/07/hoje-e-o-110%C2%BA-aniversario-de-cecilia-meireles/ 
3 - Museu de Arte Murilo Mendes
http://www.museudeartemurilomendes.com.br/noticias/conferencia-aborda-papel-pedagogico-de-cecilia-meireles-na-reforma-do-sistema-educacional/ 
4 - Global Editora
http://www.globaleditora.com.br/blog/vida-e-obra/biblioteca-que-uma-ditadura-engoliu/ 
5 - Tese Sobre Cecília Meireles
https://pt.calameo.com/read/001893073959d22cf0030 

Pavilhão Mourisco,
onde funcionou a biblioteca infantil criada por Cecília Meireles e fechada pela ditadura Vargas.
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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Biblioteca Parque X Prefeito de Niterói * Lilian Azevedo - RJ

Biblioteca Parque X Prefeito de Niterói


Ontem o Prefeito de Niterói, Sr Rodrigo Neves publicou em sua página o orgulho de ter novamente reaberto a Biblioteca Parque de Niterói. O Sepe não estava lá, porque afinal, a questão das Bibliotecas não é tão mobilizadora quanto o projeto Escola Sem Partido, por exemplo. A minha posição é que se tivéssemos Bibliotecas Escolares com projetos pedagógicos que mobilizem cotidianamente os meninos para a leitura literária, certamente teríamos mais de meio caminho andado no avanço da discussão sobre a homofobia, o machismo, o preconceito e inúmeros valores que carecem ser trabalhados nas escolas, como ética, respeito às diferenças, solidariedade, respeito a todas as religiões, etc, etc.

A luta pelas Bibliotecas Populares deveria ser para nós uma bandeira inquestionável e inadiável. São mais de 20 anos sem aquisição de acervo literário, sem funcionamento das Salas de Leitura, cujos livros estão empoeirados e abandonados em espaços mal iluminados, mofados, feios e desagradáveis que não motivam ninguém à leitura prazerosa.

Assim, mais uma tarde de propaganda eleitoreira de um governo que não discute e não encaminha o debate sobre as políticas públicas de leitura para a cidade de Niterói e muito menos nas escolas da Rede Municipal de Ensino. Já ouvi inclusive de assessorias da FME que nas UMEIs não precisam de Bibliotecas!

Está mais do que na hora da nossa categoria reivindicar a implantação das Bibliotecas Escolares e o cumprimento da Lei 12244/10.

Não basta o governo municipal investir recursos na Biblioteca Parque se em cada Bairro não há uma Biblioteca pública municipal e em cada escola uma Biblioteca Escolar, onde a leitura da literatura se dê da mesma forma como devemos ensinar os meninos a ler e escrever. O letramento educa o olhar, muda a concepção de vida e de sociedade. O letramento educa para a leitura de mundo e a cada dia perdemos mais e mais crianças porque não há escola de tempo integral e não há investimento em livros. E lutar por exemplo contra o projeto Escola sem Partido, numa Rede onde não se lê literatura, ouso dizer que será uma tarefa muito árdua, como "enxugar gelo", porque não vamos a lugar nenhum gritando contra os fascistas que de forma covarde nos atacam nos plenários da Câmara dos Vereadores. 

QUEREMOS AS NOSSAS BIBLIOTECAS ESCOLARES, porque dependemos dela para trabalhar a reflexão e a emancipação dos nossos alunos! 

Espero que daqui para frente esta seja uma bandeira de todos os profissionais da educação de Niterói. Como se fosse um mantra, precisamos em todas as audiências repetir ao governo que a Lei 12244/10 precisa e deve ser cumprida JÁ!

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Este foi o meu comentário na página do Prefeito

Pois é, Sr Prefeito, claro que a Biblioteca Parque é importantíssima para a nossa cidade, entretanto, o senhor mandou fechar a Biblioteca Popular Albertina Fortuna Barros do Badu e cedeu o espaço à Polícia Militar. Também não podemos deixar de pontuar que a sua gestão até hoje não implantou uma só Biblioteca Escolar na Rede Municipal de Ensino. Sim, Sr Prefeito, a Biblioteca Escolar é prevista em Lei 12244/10 e o seu governo ainda não implantou uma sequer. Também não podemos esquecer e tentar lembrar ao Sr e a sua equipe que as Bibliotecas Populares Coordenação De Bibliotecas Populares estão a míngua, sem nenhum investimento para a compra de acervo e para a realização de atividades pedagógicas e eventos culturais, sem falar que o seu assessor Sub Secretário de Projetos Especiais, responsável pelas Bibliotecas Populares definiu que os professores lotados nesses espaços educativos só podem permanecer se forem "readaptados" por algum problema de saúde, sem discutir a questão da paixão pela literatura e a formação acadêmica importante e necessária para a realização de um trabalho de excelência. Sinceramente fico muito feliz com a reabertura da Biblioteca Parque de Niterói, mas não posso deixar de registrar a minha indignação por ver que o governo novamente não anunciou o necessário e urgente investimento nas Bibliotecas Populares e na implantação das Bibliotecas Escolares.

domingo, 11 de junho de 2017

Alfabetização e Letramento * Lilian Azevedo - RJ

Alfabetização e Letramento

Hoje foi dia de formação pedagógica para os professores que trabalham com a alfabetização e letramento. Uma rica discussão sobre a as concepções de linguagem e leitura, numa Roda de conversa sobre o livro literário e importância da leitura como práticas cotidianas da sala de aula e a formação do sujeito leitor. 

E para pensar e refletir sobre as "possibilidades para a experiência estética com a leitura literária no contexto escolar", seria no mínimo esquisito se não falássemos sobre o papel das Bibliotecas Escolares como lugar de circulação e democratização do livro como direito de todos os alunos e professores.

Tudo sempre corre muito bem até alguém levantar questões que esbarram nos investimentos públicos para a viabilização do projeto de educação integral, sem os quais, dificilmente a escola pública avançará, por mais que haja (e há!) empenho dos profissionais dedicados à tarefa de trabalhar a leitura literária na perspectiva da educação emancipadora.

Falar da importância da leitura literária como direito numa Rede Municipal de Ensino que há pelo menos 20 anos carece de investimentos públicos para a aquisição de livros e a total ausência de projeto de implantação das Bibliotecas Escolares, é no mínimo tentar "varrer para debaixo do tapete" as questões objetivas que precisam ser debatidas em todos os espaços onde se reúnam os profissionais da educação que se dizem comprometidos com a leitura literária na escola.

Compreendo a posição das colegas que enxergam como inapropriado ao conteúdo dos cursos o debate sobre as "políticas públicas", entretanto, apresentam imagens de belas Bibliotecas, com acervos renovados e espaços vivos que alimentam o olhar e o desejo pelos livros de literatura, sem que nenhum dos exemplos tenham sido retirados da realidade das escolas públicas da Rede Municipal de Niterói. Ou seja, se queremos mudar a realidade que temos, o debate sobre as políticas públicas inevitavelmente há de permear as falas dos professores em constante processo de formação pedagógica. Assim, aos poucos vamos tecendo fio a fio a luta instigante pela implantação das Bibliotecas Escolares em cada escola da nossa Rede.
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sábado, 10 de junho de 2017

Eu Quero A Minha Biblioteca Escolar * Lilian Azevedo - RJ

EU QUERO A MINHA BIBLIOTECA ESCOLAR



Reunião do GT do Livro e da Leitura do SEPE-Niterói, dia 22 de junho, uma quinta-feira, a partir das 17.30h, no SEPE-Niterói.

Muito importante a participação de toda a categoria, das Redes Estadual e Municipal de Niterói. O direito às bibliotecas escolares em todas as escolas municipais e estaduais e UMEI's tem que ser defendido por todos/as nós. Faltam menos de três anos para que expire o prazo da lei 12.244, de universalização das bibliotecas escolares, e Niterói está longe de cumprir este objetivo. Precisamos analisar a proposta recém-anunciada pelo Governo de Niterói de cumprir a lei 12.244 até 2020, um anúncio que tem tudo a ver com uma luta histórica da categoria, mas para o qual precisamos debater um projeto e garantir a inclusão das UMEI's. Já na Rede Estadual, a política de destruição da escola pública conduzida por Pezão e Victer afeta gravemente as bibliotecas escolares das escolas estaduais: hoje várias bibliotecas estão fechadas, ou sucateadas, com acervo desatualizado ou deteriorado, sem profissionais responsáveis pelo trabalho, etc.

Vamos à luta. EU QUERO A MINHA BIBLIOTECA!

Pauta do GT do Livro e da Leitura:

- Informes das escolas;

- Levantamento da realidade das Salas de Leitura das escolas da Rede Municipal de Niterói e das bibliotecas da Rede Estadual (infra-estrutura, espaço físico, mobiliário, acervo literário infanto juvenil, armário de livros da EJA, pessoal etc), com objetivo de elaborarmos um dossiê sobre a necessidade e importância da implantação das Bibliotecas Escolares. Atenção para relatos da situação das UMEI's.

- -Preparação para a Audiência Pública sobre as Bibliotecas Escolares /BEs - representação do SEPE e discussão sobre a Lei 12244/10, os parâmetros e diretrizes das BEs.

- Calendário de reuniões setoriais para discutir a importância das Bibliotecas Escolares na educação.

-Bibliotecas Públicas Populares: discussão sobre a importância desses espaços, suas Diretrizes, Decreto de criação da Rede, modulação e critérios de lotação dos profissionais da educação;

- Proposta de organização da I CONFERÊNCIA DO LIVRO E DA LEITURA DE NITERÓI.


Vamos juntas/os!

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Presidência da República
Casa CivilSubchefia para Assuntos Jurídicos

Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1o  As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei. 
Art. 2o  Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.  
Parágrafo único.  Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. 
Art. 3o  Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profissão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998. 
Art. 4o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília,  24  de maio de 2010; 189o da Independência e 122o da República. 


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVAFernando Haddad

Carlos Lupi   


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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Como Indicar Um Bom Livro * Antonio Cabral Filho - RJ

Como Indicar Um Bom Livro
Esse é o dilema de todos que se preocupam com a leitura, com o ato de ler. Pois pode parecer simples, como se bastasse dizer leia isto, leia aquilo, ah este livro é ótimo, e fosse o suficiente para conduzir alguém às páginas do mesmo e pronto. Mas não é. É preciso perscrutar o "ser do outro", descobrir suas aptidões, preferências, gostos, neuroses, e ninguém melhor pra fazer isso do que um velho livreiro, daqueles que nos perguntam se queremos ver as novidades, ou se buscamos algum título específico, qual gênero, e sapeca sugestões a esmo tipo "conhece Demoley?" e sai desfilando personas...até que você lasca uma surpresa nele: tem alguma coisa de Salinger?
Parece brincadeira mas não é. A leitura não é uma atividade lúdica assim tão fácil. Seja para o professor de literatura, para o escritor ou para o vendedor, o alvo sempre oferece dificuldades: ele é um leitor e pode ser alguém simples ou muito complexo.
É nesse sentido que trago até você um projeto destinado a promover a leitura:
"
Livros Abertos

Quem Somos

O Livros Abertos é um Projeto de Extensão da Universidade de Brasília que tem como objetivo compartilhar histórias e encantamento com crianças e jovens de escolas públicas do DF, criando espaços de diálogo ao redor do livro e da literatura.

Os mediadores são estudantes de todos os cursos da UnB e membros da comunidade. Aqui no blog os mediadores do Projeto se expressam livremente sobre suas leituras, experiências e opiniões.

Coordenação: Eileen Pfeiffer Flores (Professora-Adjunta do Instituto de Psicologia/PPB).

CONTATO: livrosabertos01@gmail.com

http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/ 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Biblioteca de Rua * Antonio Cabral Filho - Rj

Biblioteca de Rua
- homenagem à Professora Maria Lúcia Barbosa -


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A "geladeira de livros", ou melhor, Biblioteca de Rua é uma realidade, por mais fantástica que pareça a ideia. É que nesta terra de Malboro, em que ninguém parece querer mais ligar para a leitura, o domínio das novas tecnologias, desde o humilde celular, é inquestionável.

Mas os super - heróis existem, não são fantasia! E, graças ao BRT a ideia da Professora Maria Lúcia Barbosa se concretizou. O sonho da pedagoga era incentivar o hábito da leitura em todas as idades e camadas sociais, de modo massificado, a partir da montagem de pontos de distribuição de livros gratuitamente, para que qualquer pessoa pudesse dispor deles sem nenhum empecilho.

E foi assim que a "geladeira de livros" virou ponto de encontro de amigos na Terminal Alvora, onde trocam livros, comentam e combinam novos encontros. Nesse aspecto, o terminal cumpre um importante papel como ponto de referência, fornecendo  em torno de 50 mil novos leitores por dia, e tão logo chegue um livro novo, rapidinho surge um leitor ávido e zás...
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sexta-feira, 3 de março de 2017

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Porque Participar Do Livro AI-5 * Professora Dalva silveira - MG

AI-5 COLETÂNEA DE TEXTOS E POESIA
Organização:
Rogério Salgado
Baroni Edições
Belo Horizonte - MG 2016
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Porque participar do livro AI-5?
Dalva Silveira*
Quando o poeta Rogério Salgado me fez o convite para participar da coletânea de textos AI-5, aceitei prontamente e fiquei muito feliz pela valiosa oportunidade de rememorar esse tema. Escrevi, então, um artigo sobre os efeitos do Ato Institucional nº 5 na cultura brasileira, assunto que me acompanhou durante as minhas pesquisas acadêmicas. No mestrado, entre outras coisas, analisei suas influências no encerramento prematuro da carreira do compositor Geraldo Vandré. O trabalho resultou no livro Geraldo Vandré: a vida não se resume em festivais. Já no doutorado, estudei o papel representado por esse Ato no fechamento de nada menos que oito publicações de um grupo de jornalistas da imprensa alternativa paulista dos anos de 1970.
A ideia do livro AI-5 nasceu do encontro entre cinco poetas, no dia 1º de abril de 2014, durante um evento sobre os 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Assim, com espírito da coletividade, do sentimento de partilha e idealismo da resistência dos anos 60, esses vêm, agora, publicar seus poemas, registrando, ainda, o depoimento de uma das vítimas da ditadura, bem como as análises de duas estudiosas do assunto. O livro foi, portanto, lançado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no significativo dia 13 de dezembro de 2016, num momento em que essas e outras iniciativas que buscam recolocar em pauta os valores democráticos no Brasil se mostram mais que oportunas, imprescindíveis.
Para relembrar o AI-5, é fundamental remeter aos eventos de 1968. A efervescência desse fatídico ano, no Brasil, está inserida num contexto global de protestos e acontecimentos que marcaram a década de 1960. A historiadora Christina Rodrigues, também presente no livro AI-5, mostra que, diante de um cenário no qual “os movimentos democráticos internacionais tinham repercussão no Brasil, os Generais optaram por uma atitude drástica; o AI-5 [...] assinado por Arthur da Costa e Silva, no dia 13 de dezembro de 1968” (p. 44).
No breve texto que tive a oportunide de escrever para o livro, lembro que, em 1968, além das influências externas, os movimentos de contestação no país vinham se radicalizando, em resposta ao endurecimento do regime militar. Sendo assim, pode-se apontar como um dos principais objetivos da promulgação do AI-5 o esmagamento dessa resistência ao governo ditatorial. A partir daquele momento, assistimos ao fim das liberdades democráticas. Então, o governo militar assumiu sua face mais repressiva: censurou os meios de comunicação e as manifestações artísticas que não correspondiam ao ideal da “Revolução de 1964”. As mudanças que daí decorreram, como procuro demonstrar, foram desastrosas para a cultura brasileira:
Com a promulgação do AI-5 e a subsequente implantação e consolidação da indústria cultural, essa ideologia de transformação do mundo, tão presente na arte brasileira dos anos 60, em particular na música popular, foi substituída por outros valores (p. 56).
Na análise que apresento do contexto cultural brasileiro à sombra do AI-5, cito um depoimento de Zuenir Ventura, em que o escritor observou, ainda em meados do ano de 1973, a intensificação de uma cultura essencialmente comercial, padronizada e sem pretensões de originalidade, cujo objetivo era distrair e impedir tudo que levasse a “fazer pensar”. Essa tendência, como ainda ressalto no artigo, assinalou “uma direção para a cultura veiculada, nas décadas posteriores, pela maioria dos canais de comunicação da tradicional mídia brasileira” (p. 57).
O AI-5 também foi responsável pela liquidação dos protestos políticos e pela violenta perseguição às pessoas consideradas “subversivas” pelo regime ditatorial. No livro, trecho da poesia de Irineu Baroni presentifica esses momentos:
Olho (novamente) para trás:
estou sendo seguido
embora o caminho
não exista mais... (p. 25).
Houve, também, muitas prisões e o do uso da tortura, fatos evidenciados nos versos de Rogério Salgado:
daí veio a dor
em forma de telefones, paus de araras
afogamentos e estupros (p. 35).
A revogação do AI-5 só ocorreu em 1º de janeiro de 1979. Essa foi acompanhada por uma lei de anistia, publicada em agosto desse mesmo ano, que não levou em consideração a indiscutível necessidade de responsabilização pelos crimes cometidos. Isso cooperou para o enraizamento da prática da impunidade no país e para a perpetuação de uma cultura de violência e desrespeito aos direitos humanos, a que assistimos constantemente no nosso cotidiano.
Frente a essa realidade, torna-se necessário rememorar, discutir, esclarecer e repassar às novas gerações as atrocidades fomentadas pelo AI-5. Ainda mais num tempo sombrio como este que presenciamos atualmente. Neuza Ladeira, que foi prisioneira política entre os anos de 1970 e 1972, em seu depoimento, também publicado na coletânea, nos fala dessa necessidade:
Foram tempos tortuosos para todos os brasileiros. Sofremos na pele o que significa um regime de exceção. Admito que não esperei estar aqui hoje. Agora mais que nunca devemos falar da quebra da liberdade de comunicação. Estamos em tempo de partidos, tempos de homens partidos (p. 65).
Sendo assim, este livro é fundamental para entendermos e reagirmos ao momento atual, porque, como relata o secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, no seu prefácio, “Os poetas, como se sabe, enxergam na escuridão. Têm a perigosa mania de ordenar as palavras para dizer o indizível” (p. 6). Os poetas, também, nos enchem de esperanças, sentimento muito necessário no contexto em que vivemos. Então, partilho com vocês alguns trechos de poemas presentes na coletânea, carregados desse sentimento, ainda na esperança de que eles contribuam para a sempre necessária resistência a toda forma de opressão.
Em um desses poemas, Helenice Maria Reis Rocha confessa que, “naqueles tempos”,
Presos, de madrugada
E livres
Ninguém nos alcançava
Desprezávamos os exércitos de loucos (p. 15).
E Petrônio Souza Gonçalves deixa uma importante reflexão:
A vida não se estacionou no que passou,
Não é o vento que pousou na janela,
A tempestade que ficou aprisionada
na sala de espera
A vida não é um lugar;
É onde você está.
E segue sempre,
Invariavelmente,
Na busca da eterna primavera (p. 32).
Finalmente, esperemos que se cumpram os versos de Bilá Bernardes, para quem o período da ditadura militar:
Foi tempo de aprendizado
Guardado no passado
Para não repetir (p. 11).


BERNARDES, Bilá et al. AI-5. Belo Horizonte: Baroni Edições, 2016. 72 p.
Projeto gráfico da capa, contracapa e miolo: Irineu Baroni
Preço de lançamento: R$ 20,00
Contatos: Rogério Salgado (31 98421-6827) – Irineu Baroni (31 99796-9693)


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*Dalva Silveira nasceu em Belo Horizonte/MG. Graduou-se em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e concluiu sua especialização em Ensino Técnico pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Defendeu o mestrado e o doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), respectivamente com os títulos A vida não se resume em festivais: um estudo das representações sobre Geraldo Vandré na imprensa brasileira (1966-2009); e A “Turma do Ex-” e a ditadura militar: os oito anos de guerrilha jornalística e seu legado. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre o período da ditadura militar, com ênfase no campo da música e da imprensa alternativa das décadas de 1960 e 1970. É autora de Geraldo Vandré: a vida não se resume em festivais (Fino Traço, 2011), além de artigos e também outros livros em coautoria. E-mail: dalvasilveira@yahoo.com.br. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Hábito De Ler - Por Iram Saraiva / Antonio Cabral Filho - RJ


O Hábito De Ler - Por Iram Saraiva*
O costume de ler o brasileiro não tem. Por isso, quase nada vê, pouco ouve, e fala com uma dificuldade espantosa.
Não vejo outra razão, que não seja a falta de leitura, para tanta servilidade de uma nação inteira. É a própria ausência de dignidade ante aqueles de quem se depende.
Aqui, Executivo, Legislativo e Judiciário não são poderes. São patrões. Lamentável constatação que, com certeza, deixaria triste Montesquieu, o idealizador da divisão dos poderes, na mesma proporção vivida por Santos Dumont ao ver a sua criação, o avião, usada na ordem inversa do que sonhava, qual seja, a paz.
O que o hábito de ler poder fazer ao homem?
No primeiro momento, abre a possibilidade de visão pessoal, o que equivale dizer, enxergar o mundo da forma que ele é, e não do jeito que contam que é.
Depois, ensina ouvir conforme alguém expressou e não na intenção distorcida com a qual, muitas vezes, as palavras são usadas.
Finalmente, afasta o bloqueio do não saber e de se manifestar sem conteúdo e reflexão.
De posse desses três requisitos não há quem não aprenda a pensar, fato que evita que aconteça a previsão de Montesquieu: “Quanto menos os homens pensam, mais eles falam”.
Mas também não conheço um homem sequer que consiga raciocinar sem ter o hábito de ler. Sem conhecimento o cérebro é um moinho que apenas tritura o vazio.
Quem não lê não tem ideias ou convicções, porque o seu alcance só vai até o limite que a ignorância permite: nada.
Há sempre um livro pronto para nos ensinar. A questão é que ele é esquecido em cima de um móvel qualquer todo coberto de poeira.
Fossemos um povo letrado aquele que nos governa, por força do hábito, também o seria, e erraria menos. Nação culta não aceita ser conduzida como o gado é levado ao matadouro.
Já vi inúmeras passeatas, o mesmo tanto de protestos, milhares de faixas “Fora” isso ou aquilo nos finais de semana, e, na segunda-feira, segue a vida normalmente como se nada houvesse acontecido. Ou melhor, quando não piora um pouquinho mais. É muita resignação para o meu gosto.
Às vezes, penso que as redes sociais funcionam, para os seus usuários, como vingança suficiente contra os fatos e seus ocasionadores, pois bastam charges, piadinhas, fotos denunciativas para acalmar a fúria quase santa da galera que também participou dos protestos de rua.
Meu amigo, poderes não temem passeatas e nem charges. Governo morre de medo é de povo culto, que lê e sabe dos seus direitos originários. Portanto, vamos ler, com o propósito de saber, que, talvez, daqui cinco décadas essa gente seja varrida da nossa história.

(Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União, )https://impresso.dm.com.br/edicao/20161214/pagina/19/conteudo/opiniao/2016/12/o-habito-de-ler.html )

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Força da Palavra Escrita * Kleber Galvêas - ES

A Força da Palavra Escrita
-Van Gogh-
*
A FORÇA DA PALAVRA ESCRITA

O demônio Tentes apresentou ao rei Tannus a matemática, a geometria, a astronomia... e a escrita, dizendo que ela conduziria seu povo à ciência.
Logo imaginamos que isso seria perfeito. Lembramo-nos da aquisição da linguagem oral e de como isso possibilitou a transição da nossa condição absolutamente animalesca para a condição humana. A possibilidade de fixar e transmitir a linguagem ao infinito, no tempo e no espaço, através da escrita, nos tornaria ainda mais humanos. Espalhando e comparando informações, acrescentando opiniões, avaliando resultados e trocando conhecimentos, seriamos solidários.
Tannus não viu assim e disse: “Se você nos ensinar a escrita, eu posso lhe dizer o que vai acontecer: essa habilidade será funesta para o homem.” Imaginou que a força da palavra escrita nos submeteria a um modelo. Colocaria nossas recordações e vivências em segundo plano, o homem perderia a curiosidade, a própria memória e muito do seu saber. Conhecimentos próprios seriam substituídos por citações elegantes, perderia autenticidade na sua expressão. A previsão de Tannus, contada por Platão, em Fédon, se realizou para a maioria da humanidade. Em todas as culturas, em todos os níveis sociais existem fundamentalistas, seguidores fanáticos da palavra escrita por outrem.
Cervantes, há quatro séculos, no olho do violento furacão da inquisição na Espanha, percebeu paradigmas e nos alertou para o desvio dogmático dos agentes fundamentalistas. Enfrentando mil dificuldades, andando na corda bamba sobre fogueiras, em território onde as três grandes religiões de inspiração divina (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo) se encontravam ativas, pregando a palavra escrita em seus livros sagrados, ele soube usar a literatura com habilidade (foi o primeiro escritor a transitar do barroco para o moderno). Indicou-nos a correção de rumo dando dribles fantásticos nos censores da inquisição e publicando, há exatos 400 anos (1616), a sua novela Dom Quixote. Critica velada aos seguidores estreitos da palavra escrita na Bíblia, no Torá e no Alcorão.
 Dom Quixote, em seu leito de morte, após uma febre alta, reconheceu que não viveu a própria vida. Fanático pelos livros de Cavalaria Andante, sempre procurou imitar seus heróis da Idade Média. Desprezando a sensibilidade, ignorou seu tempo, sua vocação e suas experiências pessoais. 
A mais popular palavra escrita atualmente está no jornalismo dos diferentes veículos. Da mesma forma que contribuímos com o dízimo para a difusão da palavra escrita nos livros sagrados, que alimentam o espírito, devemos contribuir (assinatura, compra avulsa) para que o jornalismo prospere, alimentando as nossas consciências. A contribuição para a difusão do jornal e da mídia eletrônica é essencial para tomarmos conhecimento dos fatos narrados de diferentes ângulos, para avaliarmos e traçarmos um rumo mais próprio e humano para nossas vidas na comunidade. Evoluímos informando-nos, ouvindo opiniões, analisando, testando hipóteses e investigando velhos paradigmas. Habitamos um mundo que pode ser compartilhado generosamente.
As coisas estão mudando para melhor. Como acontece nos países desenvolvidos, o leitor brasileiro tem mostrado interesse maior por assuntos próximos, sobre os quais já tenha algum conhecimento, dos quais possa participar e até neles interferir, ou simplesmente sabê-los, para conhecer melhor o seu ambiente.
O jornalista é o professor sem didática, mas pródigo, habilidoso e preparado para informar. O professor, o jornalista e o artista têm atividades complementares. O professor habilita o jornalista e o artista a produzirem suas obras; e o povo, a conhecê-las. O jornalista informa o que acontece, onde e como está acontecendo. O artista produz insumos para que o professor e o jornalista exerçam suas atividades, e  complementem a sua obra, pois não existe arte sem público. 
Fundamentais na vida em sociedade, as  atividades desses profissionais  exigem vocação e formação adequada, para   seu bom desempenho. Se tivéssemos um juízo coletivo seriam muito bem remuneradas e prestigiadas, para nosso próprio benefício.

Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com outubro, 2006